Transplantes 1261
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Nadir Stolf e Ralf Spredman

NadirDona Nadir já fez hemodiálise, CAPD e voltou a fazer hemodiálise, está há aproximadamente 20 anos em tratamento de substituição renal. Fez CAPD porque tinha problemas com as fístulas, voltou à hemodiálise por perda de capacidade de seu peritôneo em dialisar. Acha negativo na hemodiálise a fraqueza que a acomete na última hora de hemodiálise; faz 4 horas por sessão devido aos seus exames, especialmente fósforo. Sonha em fazer transplante renal, mas não está com pressa. Como fez muito tempo tratamento em Curitiba, no Serviço do Dr. Riella, lembra-se que lá havia maior rigor com a dieta; os lanches durante hemodiálise eram pobres em potássio, fósforo e sal. Aquela "gulodice" do Sandro nas hemodiálises nem pensar!. 

Os lanches eram leves, pão com manteiga, café e leite, antes e após hemodiálise. Lá também se exigia atingir o peso seco, mesmo que o paciente não se sentisse bem com a retirada de peso. Sua discrição não lhe permite dizer do que desgosta na hemodiálise em Blumenau. Hoje está adaptada à dieta, não sente dificuldades em cumpri-la.

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Mesmo reconhecida como boa cozinheira, não tem receita especial para evitar o "trio perigoso" (fósforo, potássio e sal). Alerta que é preciso ter consciência do que contem os alimentos, para evitar os problemáticos: "se eu como polenta em um dia da semana, não repito naquela semana, feijão apenas a cada 15 a 20 dias, e as frutas são bastante restringidas". 

Não come sal, mas usa temperos para dar sabor à comida; assim reduz a sede, e evita o excesso de peso. Lembra que a retirada forçada do excesso faz câimbras, fraqueza e queda da pressão. Para manter o fósforo baixo e ficar livre da coceira evita derivados do leite.

 

Um pouco da minha história renal

RalfEm uma das minhas viagens a trabalho senti-me mal; era abril de 2004. Consegui retornar para casa, e imaginando ser problema cardíaco, procurei um Cardiologista, pois já sabia que meus exames de colesterol e triglicerídeos eram alterados, e sentia o meu peso elevado. Os exames de uréia e creatinina, que foram solicitados, mostraram-se anormais, e assim acabei encaminhado ao médico de rins. Na Nefrologia, após alguns exames adicionais, veio a sentença da indicação de hemodiálise. 

Foi um choque para mim, bem como para minha família, que convém salientar, nunca, em momento algum, deixou de estar ao meu lado, e mesmo fragilizada sempre foi otimista, dando-me todo amor necessário para enfrentar essa situação. Passado o choque inicial, agora certo de que seria o melhor e o único caminho a seguir, passei a fazer parte da “turma de hemodiálise”. 

Três vezes por semana desloco-me de Pomerode para Blumenau, onde me submeto a 4 horas e 15 minutos de hemodiálise. Aquela sentença inicial não veio sozinha, um câncer de próstata foi diagnosticado, e eu tive que me submeter ao tratamento com drogas e radioterapia, mas isso já é passado, pois, hoje, estou curado deste mal. Os médicos nefrologistas da “nossa clínica” são cinco, todos querendo mostrar serviço, e acabaram descobrindo que o meu coração anda lento, isto é com freqüência baixa, o que me faz candidato imediato a um marca-passo cardíaco. 

Na nossa hemodiálise de a cada dois dias, encontramos além dos médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, e muitos “colegas de doença”, e nesta caminhada fazemos grandes amizades. Adaptado a esta adversidade, agradeço a Deus pela vida, a minha família pelo amor, aos meus novos amigos pela tolerância, e a toda equipe da Clínica de Rins Vele do Itajaí pela preocupação, carinho e atenção com que me tratam