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Luto pela saúde renal

14 de março - Dia Mundial do Rim
Dia de luto para a Nefrologia do Brasil.

Sem Pagamento desde janeiro, clínicas colocam bandeiras pretas em sinal de Protesto.

Clínicas de hemodiálise que atendem cerca de 100.000 mil pacientes renais estão há 48 dias sem receber pagamento da Nefrologia. O Fundo Nacional de Saúde não tem recursos para fazer o depósito da competência janeiro/2013 que deveria ter sido liberado no início de fevereiro.

Cerca de 600 clínicas estão sem dinheiro para pagar folha de pagamento, impostos, insumos e medicamento. O Ministério alega que sem a publicação do orçamento de 2013 o Fundo Nacional de Saúde não tem recursos para pagar.

Nesta quinta feira, 14 de março, é comemorado em todo o planeta o dia mundial do rim. A cada ano novos temas são propostos, sempre no sentido de orientar a população sobre as doenças renais, cada vez mais prevalentes em todas as regiões.

No Brasil, cerca de 10% da população tem algum comprometimento renal. O diabetes e a hipertensão arterial são as doenças que mais comprometem o trabalho dos rins.

No caso de perda irreversível  da função renal, a diálise e o transplante são as alternativas de tratamento. Dezenas de milhares de pessoas têm a sua vida preservada graças à essa terapia de substituição renal.

Cerca de 600 clínicas espalhadas por todo o país são as responsáveis pela manutenção da vida desses pacientes.  Noventa por cento delas são privadas e mais de oitenta por cento dos 100.000 pacientes em diálise têm o tratamento custeado pelo  Sistema Único de Saúde-SUS.

Essas mesmas clínicas que nesse dia teriam que estar promovendo a data com medidas de promoção de saúde renal, na verdade estão preocupadas exclusivamente com sua sobrevivência,  já que estão à beira da total insolvência econômica.

As dificuldades encontradas pelas clínicas de diálise provêm dos parcos recursos designados pelo Ministério da Saúde para  pagar o tratamento. Isso acontece há anos, e chega agora num patamar tal que não há como manter funcionando  esses estabelecimentos, já que o valor  que é pago mal cobre os custos dos procedimentos, sem contar os infinitos atrasos nos repasses das verbas que vem de Brasília para os municípios que oferecem tratamento dialítico à sua população.

Exemplo maior é o de Curitiba, onde os serviços prestados desde novembro do ano passado ainda não foram pagos.  Inúmeras outras cidades do Brasil se encontram em situação semelhante.

As clínicas estão todas endividadas, com impostos atrasados, em processo falimentar. Não há, em razão disso, nenhum motivo para comemorações. Há sim um desalento total, já que o descaso crônico do governo federal com a saúde do País como um todo, e em especial com a diálise, não permite mais esperanças de que soluções sejam encontradas no curto ou no médio prazo.

Pacientes, médicos, enfermeiros e pessoas relacionadas de alguma forma à diálise estarão usando nesse dia, uma tarja preta no braço em sinal de luto e protesto contra a situação vigente. Se nada for feito vidas poderão ser perdidas.


Fonte: Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante