Transplantes 1329
Quer ajudar?Faça uma doação!

Toda vez que toca o telefone acho que é o transplante

Imagem da notícia

Selene Flohr, na fila de espera por um rim.

Com lágrimas nos olhos, Selene Flohr, 47 anos, fala sobre como vê o transplante e a doação de órgãos. Após 15 anos com problemas de disfunção renal e dois anos e meio fazendo hemodiálise, ela espera pela doação de rim. Teve de mudar hábitos e a rotina quando começou a hemodiálise. Parou de ajudar o marido para fazer tratamento na Associação Renal Vida três vezes por semana durante três horas. Selene tem esperança que ainda neste ano seja chamada para receber um rim e voltar à vida que tinha antes.

 

A DESCOBERTA

Ocorreu quando estava trabalhando em uma empresa têxtil da cidade e senti muita dor no abdômen, há 15 anos. Cheguei em casa, e ao urinar, vi um líquido escuro, quase igual à cor do café. Descobri que tinha disfunção renal. Comecei a fazer tratamento com remédios e a ter restrições alimentares.

A ROTINA

Faço hemodiálise três vezes por semana durante três horas. Venho e volto de ônibus. Por passar tanto tempo na Renal Vida, acabei construindo uma família aqui. Vejo televisão, como e converso com os pacientes e enfermeiras. Às vezes, a gente ri, chora, brinca. Saio daqui bem leve. Sofro quando alguém que faz hemodiálise comigo está mal. Vários amigos daqui já se foram.

AS RESTRIÇÕES

Hoje me faz falta um copão de água. Podemos apenas beber um pouquinho com pedras de gelo. Se bebo a mais, chego à hemodiálise com um peso na consciência. Evito comer comida muito salgada, frutas e verduras. No dia a dia, faço tudo normalmente. Às vezes, me dá um cansaço, mas vou levando.

A DOAÇÃO

Nunca dei valor para doação. Só quem está aqui sabe o quanto é dura a espera. Minha família também vê a doação com outros olhos. Se fossem procurados, doariam prontamente.

O TRANSPLANTE

Toda vez que toca o telefone, eu tenho expectativa que seja o transplante. Tinha medo, mas agora não tenho mais. Se vier a resposta hoje, estou indo. A mesma coisa falo para as pessoas que têm o mesmo problema que eu: não tenham medo.

Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA